Adeus, São Paulo
Durante uma semana, tentei mergulhar na lógica do mercado imobiliário da metrópole. Decidi que não quero viver (nem morrer) aqui. Matheus Pichonelli Diego Torres Silvestre/Flickr Do alto, sentia a vertigem e imaginava quantos pedaços de mim se espalhariam pelo chão se a grade mambembe, espetada em uma parede com as primeiras rachaduras, se partisse naquele instante. Estávamos no 23º andar e eu, como sempre acontecia quando meus pés se afastavam do chão, imaginava com quantos calafrios eram construídos um edifício como aquele. O corretor, de cabelo espetado e brinco na orelha esquerda, falava comigo com todos os pronomes e plurais ensaiados. Educadíssimo, me chamava de senhor, embora aparentasse ser mais novo do que eu. Antes de fechar a janela do apartamento, um cubículo de 30 metros quadrados cujo preço, em minha terra, valeria um rancho inteiro com os cavalos incluídos, observei um cão à beira da avenida principal. Andava em círculos pelo portão ...