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Não penso, logo relincho

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Matheus Pichonelli Um pequeno glossário com a lista dos principais clichês repetidos pelas redes sociais para justificar, no discurso, um mundo de violência e exclusão Dizem que uma mentira repetida à exaustão se transforma em verdade. Pura mentira. Uma mentira repetida à exaustão é só uma mentira, que descamba para o clichê, que descamba para o discurso. E o discurso, quando mal calibrado, é o terreno para legitimar ofensas, preconceitos, perseguições e exclusões ao longo da História. Nem sempre é resultado da má fé. Por estranho que pareça, é na maioria das vezes fruto da indigência mental – uma indigência mental que assola as escolas, a imprensa, as tribunas, as mesas de bares, as redes sociais. Com os anos, a liberdade dos leitores para se manifestar sobre qualquer assunto e o exercício de moderação de comentários nos levam a reconhecer um clichê pelo cheiro. Listamos alguns deles abaixo com um apelo humanitário: ao replicar, você não está sendo original; está ap...

DELENDA EST PT

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PEDRO EUGÊNIO Chega a ser trágica a comédia que se armou em torno dos "privilégios dos petistas presos". Me poupem, por favor! O senador romano Catão, o Velho (234-149 a.C.) costumava terminar seus discursos com a frase "Delenda est Cartago", ou seja, Cartago, inimiga de Roma, tem de ser destruída. Pois bem, nos tempos atuais há gente com esse mesmo conceito na cabeça, mas em relação ao PT. Chega a ser trágica a comédia que se armou em torno dos "privilégios dos petistas presos". Isso me faz lembrar de visita que fiz, há anos, ao presídio estadual de Caruaru. Onde, apesar da superlotação (já existia à época, mas piorou muito - hoje são 1.308 detentos para um espaço feito para 380!), vi experiência extraordinária de reconstrução de vidas encarceradas através de atividades que se desenvolviam ali. Fui guiado pela então diretora Cirlene Rocha. Vi acontecendo em diferentes espaços, em meio a uma balbúrdia de mercado persa, artesanato, aulas ...

Do assassinato de Kennedy ao STF e a mídia

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Venício A. de Lima, na  Carta Maior Retrospectiva histórica revela: pode estar se gestando no Brasil mesma atmosfera de ódio que instigou, há 50 anos, crime de Dallas No final da tarde do dia 22 de novembro de 1963, me aproximei de um pequeno grupo de pessoas que ouvia incrédulo à edição extra do noticiário de um velho rádio no “Bar do Seu Crispim”, bem defronte ao Cine Villa Rica, em Ouro Preto. Foi onde e como fiquei sabendo do assassinato do presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, nas ruas de Dallas, Texas. Militante estudantil, apesar de ter apenas 18 anos, vivi intensamente o momento político, marcado pela radicalização da Guerra Fria, pelas repercussões da Revolução Cubana, pelo conturbado processo de resistência às Reformas de Base do presidente João Goulart e da ativa movimentação de opositores como Carlos Lacerda que percorriam o país – inclusive Ouro Preto – pregando abertamente o golpe de estado. Cinquenta anos depois, estaríamos diante de um processo...

"EU ME MATANDO PARA JULGAR O MENSALÃO E VOCÊ VOTA NO PT? FRANCAMENTE!"

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BRASIL 247 A frase foi postada nas redes sociais por Luci Rosane Ribeiro, mãe do juiz Bruno Ribeiro, que será o executor das penas da Ação Penal 470, em razão de mais uma decisão monocrática de Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, que afastou o titular da Vara de Execuções Penais, Ademar Vasconcelos, do caso; o pai de Bruno, Raimundo Ribeiro, foi deputado distrital pelo PSDB e é dirigente tucano no Distrito Federal; saberá o juiz se comportar de forma isenta e livre das pressões que recebe dos próprios pais?; a escolha de Joaquim Barbosa pode ser considerada justa em relação aos presos? A informação, publicada em primeira mão no 247 (leia aqui ), de que o juiz escolhido por Joaquim Barbosa para cuidar das prisões da Ação Penal 470, Bruno Ribeiro, é filho de um dirigente do PSDB no Distrito Federal, o ex-deputado Raimundo Ribeiro, coloca sob suspeita as escolhas do presidente do Supremo Tribunal Federal. Bruno é filho de pais que têm feito uma espécie ...

Joaquim Barbosa e a face tenebrosa da maldade

Luis Nassif A disputa política permite toda sorte de retórica. Populistas, insensíveis, reacionários, porra-loucas, o vocabulário é abrangente, da linguagem culta à chula. Em todos esses anos acompanhando e participando de polêmicas, jamais vi definição mais sintética e arrasadora do que a do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello sobre Joaquim Barbosa: “É uma pessoa má”. Não se trata se julgamento moral ou político. Tem a ver com distúrbios psicológicos que acometem algumas pessoas, matando qualquer sentimento de compaixão ou humanidade ou de identificação com o próximo. É o estado de espírito que mais aproxima o homem dos animais. O julgamento da bondade ou maldade não se dá no campo ideológico. Celso Antônio Bandeira de Mello é uma pessoa generosa, assim como Cláudio Lembo, cada qual com sua linha de pensamento. Conheci radicais de lado a lado que, no plano pessoal, são pessoas extremamente doces. Roberto Campos era um doce de pessoa, assim como Celso Furtado. A ...

Ponto fora da democracia

O julgamento do mensalão não foi apenas algo fora da curva. Foi uma afronta à retidão Marcelo Zero (*) “Um ponto fora da curva”. Foi assim que o Ministro Barroso, do STF, definiu a AP 470 em sua sabatina no Senado.  O então candidato à nossa suprema corte foi elegante, como sempre. Talvez demasiadamente. Muitos consideram que a sua definição é apenas um eufemismo para coisa bem mais grave. Com efeito, a AP 470 já tinha começado torta, fora da curva, com a negativa do desmembramento, e está terminando com uma série de irregularidades destinadas a propiciar um espetáculo midiático, com a humilhação pública dos acusados. Um final convenientemente distorcido para um começo torto.  Entre um e outro ocorreu de tudo: timing político-eleitoral das condenações, acusações sem provas, humilhações públicas do Ministro Lewandowski, declarações políticas em votos que deveriam espelhar a imparcialidade da justiça e, last but not least, a transformação do domínio do fato na t...

"Jamais deixarei a luta política"

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Em entrevista à ISTOÉ, José Genoino fala sobre os momentos na cadeia. Com problemas de saúde, o deputado deve cumprir o restante da sentença em casa Paulo Moreira Leite - Isto É PRESÍDIO DA PAPUDA, QUINTA-FEIRA, 21 DE NOVEMBRO O deputado José Genoino recebe suas primeiras visitas no cárcere Levado às pressas para o Incor de Brasília, na tarde da quinta-feira 21, José Genoino recebeu duas notícias ao mesmo tempo. A primeira veio dos médicos. Ao contrário do que se temia no início, ele não havia sofrido um infarto do miocárdio. Enfrentava uma nova crise de pressão alta, igualmente preocupante, mas previsível num paciente em sua condição. A segunda novidade veio do Supremo Tribunal Federal. Como o próprio Genoino, seus advogados e a procuradora-geral da República em exercício, Ella Wiecko, solicitavam desde a segunda-feira 18, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, concordou com o pedido de mudar seu regime prisional. Em vez de cumprir seis anos e sete meses de p...

Por que os jovens estão abandonando o Facebook?

Pragmatismo Político Facebook admite queda no acesso diário ao seu site. Jovens passam menos tempo na rede social mais famosa do mundo, e a razão é que a diversão foi para outros lugares O Facebook admitiu recentemente uma queda no acesso diário ao seu site, em especial entre usuários adolescentes. O anúncio confirmou o que já havia sido sugerido por um estudo da organização americana Pew Center: a rede social está perdendo popularidade entre os jovens e adolescentes. “Agora o Facebook me cansa. Só uso para ver vídeos”, disse Maria Luque, uma adolescente de 14 anos. Apesar da maioria dos jovens ainda manter o perfil ativo, agora eles passam menos tempo na rede social mais famosa do mundo. E a razão é que a diversão foi para outros lugares. Os adolescentes agora estão concentrando suas atividades em outras redes, como Twitter e Instagram, e em aplicativos de mensagens via telefone celular, como o WhatsApp . Twitter Os dados mais recentes da consultoria Pipe...

Consciência negra, da necessidade de se lutar contra o racismo para além dos gabinetes

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Dennis Oliveira Hamilton Cardoso, jornalista e liderança do movimento negro, morto em 1999 O Dia da Consciência Negra sempre me faz lembrar um grande ativista e intelectual e que foi uma das minhas principais referências da luta contra o racismo que foi o jornalista Hamilton Cardoso (1953-1999). Conheci-o por conta do meu início de militância no movimento negro, estava ajudando a construir uma entidade do movimento negro junto com outros ativistas. O tempo de convivência foi curto devido a sua morte prematura, mas foi proveitoso em termos de aprendizado. Uma das frases que até hoje me lembro do Hamilton era que o movimento negro precisaria construir uma estratégia de articular todos os espaços em que os negros estivessem juntos, não apenas os espaços políticos. Hamilton ia até mesmo nos concursos de Miss Afro que alguns clubes negros organizavam nos anos 1970 e 1980, eventos que vários militantes desprezavam por considerá-los despolitizados. O racismo no Brasil hoje cada ve...

20 de Novembro é dia de Zumbi e Dandara. É Dia de luta!

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negrobelchior   10ª Marcha da Consciência Negra em São Paulo.  Convide os amigos, parentes e traga a sua família!    Próxima quarta, a partir das 11h da manhã, no vão do MASP – Avenida Paulista – SP. Por  Douglas Belchior 20 de Novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. É o momento de celebrar a memória Zumbi dos Palmares e Dandara, herói e heroína do povo brasileiro. Mas acima de tudo é um dia de reflexão e busca de novas formas para enfrentar o racismo que, infelizmente ainda hoje dificulta e tira a vida de mulheres e homens em todo o país. A escravidão no Brasil – um dos maiores crimes de lesa-humanidade já vistos, ocupou ¾ de nossa história. Como herança resta não apenas as condições desiguais de desenvolvimento econômico e de condições básicas de vida dos afro-brasileiros, mas, sobretudo, a naturalização do sofrimento, da dor e da morte negra. A ideia de que a  “carne mais barata do mercado é a carne negra”  se reafirma pel...